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Vida em Transição #4 – Energia e Serviços

Como os últimos artigos desta colecção andaram à volta da comida, mudo agora para outro tema importante: energia (e serviços relacionados).

Ao longo destes últimos meses temos feito várias experiências e observações e finalmente algumas mudanças para tentar reduzir a pegada ecológica e também ter uma casa mais económica :)

Água

O desperdício da água enquanto se espera que aqueça sempre nos fez confusão. Especialmente para quem tem a casa de banho longe do esquentador, o que faz com que a água demore ainda mais tempo a chegar. Usamos um balde para apanhar a água fria, que depois é usada na sanita em vez do autoclismo.

Mas uma das maiores poupanças no nosso consumo de água foi mesmo a máquina de lavar loiça. Talvez tenhamos maus hábitos de lavagem manual, mas o certo é que tivemos uma redução significativa na conta da água a partir da altura em que introduzimos a máquina. E não nos podemos reduzir apenas a contar números. O facto de termos libertado HORAS de esfreganço de pratos e tachos é um benefício incomparável :)

Gás

Não temos a possibilidade de ter gás canalizado na nossa rua, por isso continuamos a depender da garrafa. Há coisa de meio ano fizemos a troca para o gás Prio e nunca mais olhamos para trás. A garrafa leva menos, mas também é mais leve e mais barata. 17,50€ em vez dos habituais 24€ (aprox) da Galp. E um benefício extra, o gás é propano. Sabiam que o butano(da galp e da maioria) nunca se gasta a 100%? A parte final do gás fica líquida e depois não sai da garrafa. Isto é especialmente relevante em zonas frias onde o gás fica mais líquido rapidamente. O propano garante que se gasta 100% do gás, nada de desperdícios :)

Electricidade

1800129259timer switch 1Para a parte eléctrica usamos um potenciómetro para medir os gastos de qualquer tomada e ver assim a média de consumo de diversos equipamentos ou electrodomésticos. Não temos assim tanta coisa como numa “casa normal” onde se possa cortar, ainda assim, estamos a usar um destes aparelhos que não sei o nome, mas que servem para desligar e ligar a electricidade a horas específicas. Assim, das 23h às 7h da manhã a electricidade fica automaticamente cortada para a TV, telefone e Internet.

A grande mudança, essa sim, foi no fornecedor de electricidade. Vendo bem, ainda é difícil perceber porque tanta gente continua com a EDP. Por outro lado, é fácil de perceber: trata-se da habitual resistência/letargia à mudança para algo diferente. Vendo uma simulação básica e a tabela de preços dos vários concorrentes, não encontramos razão para permanecer na EDP, que é – aliás – uma das mais caras.

A cereja no topo do bolo foi ter descoberto a YLCE – que para além de ser a mais barata de todas, é uma empresa da Covilhã e 100% nacional :)

A mudança ainda está a ser feita, por isso para já ainda não há feedback a dar, excepto que o processo de mudança foi super rápido, grátis e fácil (tudo online).

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Comida, crise, economias e sustentabilidade

Tenho boas memórias dos tempos em que vivi em Sintra, e uma delas foi do dia em que descobri o mercado local. Até então dependia do supermercado para tudo. Naquele dia as portas abriram-se e descobri um mundo à parte (na altura ainda não estava muito ligado à permacultura e afins). Quando saí de Sintra para morar em (muitos) outros sítios, fiquei sempre com saudades daquele mercado. Gradualmente voltei a cair no hábito/dependência dos supermercados.

Quando nos mudamos para o Fundão, fiquei muito contente ao descobrir um mercado idêntico. Agora faz religiosamente parte da minha rotina semanal, 2 vezes por semana (e só porque não há mais).

mercado_shutterstock_112976938Há inúmeras vantagens em ir a um mercado tradicional, seja pelas pessoas, pela frescura e sabor dos alimentos, por questões económicas ou mesmo de sustentabilidade ecológica!

Das poucas vezes em que sou “obrigado” a ir a um continente(ou algo do género) e tenho a infelicidade de comprar fruta, sou relembrado o quão bom é ter um mercado por perto, logo que dou uma primeira dentada. Hoje foi um desses dias e aproveitei para dar uma vista de olhos nos preços e origens de alguns dos alimentos.

Porque é que há pessoas a comprar romãs a quase 4€, vindas de Israel, quando há aqui uma imensidão de agricultores a vender romãs por todo o lado? Ocorreram-me várias respostas:

  1. carteira demasiado pesada, vamos gastar mais (pouco provável)
  2. o que é de fora é que é bom?!?
  3. preguiça de ir ao mercado / ou preferir a frieza de uma grande superfície
  4. ??

Mas bem, venham comigo e vamos simular aqui umas compras com base nalguns preços que tirei:

Item Preço Super-mercado Mercado Local
Chu-Chu (kg) 3 € 1 €
Brócolo (kg) 2.5 € 1.5 €
Romã (kg) 3.5 € 1 €
Diospiros (kg) 3.5 € 1 €
Maça Bravo (kg) 1.79 € 0.50 €
Amendôa (500g) 10 € 2.5 €
Courgete (kg) 1.90 € 1 €
Castanhas (kg) 4 € 1.5 €
Total 30.19 € 10 €

Não são as compras típicas de muita gente, mas como as mesmas diferenças se aplicam a quase tudo o que está na secção dos frescos, serve para a ideia que quero transmitir aqui.

Claro que ao longo de uma semana e para uma família mais composta, isto tem que ser multiplicado  2, 3 ou 4 vezes. Vamos pelo caminho do meio, multiplicando por 3 temos:

Preço Super-mercado Mercado Local
Por Semana 90 € 30 €
Por Mês 360 € 120 €
Por Ano 4320 € 1440 €

Cada caso é um caso, mas uma diferença de 240€ ao final do mês é imenso! Trata-se de um valor de uma renda, para muita gente. Volto a repetir, uma renda paga, só com uma simples mudança de hábito.

3000€ ano? Ajuda nalgumas poupanças, situações de emergência, ou até pequenos investimentos.

Por isso, quando voltarmos a falar de crise, é bom ir relembrando que nestas pequenas coisas fazem-se grandes diferenças. Não só para nós, mas também para os outros e para o planeta. Ao comprar localmente ajudamos os agricultores locais, poupa-se em empacotamentos, intermediários, transportes(combustíveis fósseis!!) e ganha-se em sabor e qualidade de vida :)

Para além disso, nada como entrar num verdadeiro mercado local, ver as pessoas que cultivaram aqueles alimentos, saber o que está a crescer na época, provar, falar e às vezes, também, regatear ;)

PS –  e não falei nas vezes em que nos oferecem alimentos de graça, só porque somos clientes regulares, ou porque estão bem dispostos :)

“Salvar o planeta”

«”Salvar o planeta”, “preservar o ambiente”, isso já não significa nada! Hoje, precisamos de uma espécie de revolução. Ela não será política, porque temos as políticas que merecemos. O político corajoso que vai tomar decisões difíceis, ainda não está lá. Vivemos numa democracia, e tudo o que não temos vontade de fazer, a política não o vai fazer… A revolução não será científica. Claro, vão-se inventar novos sistemas de energia limpa. Mas não vão substituir 85 milhões de barris de petróleo por dia por turbinas eólicas ou painéis solares. Portanto, é realmente necessário aprender a gastar menos energia para viver melhor com menos. Não vai ser uma revolução económica. A economia de hoje, já não a conseguimos controlar, as crises económicas vão-se suceder. O que precisamos é praticamente uma revolução espiritual. Não no sentido religioso, mas sim no sentido moral e ético. Como homem de hoje, sei o que se passa no mundo, como a minha vida quotidiana impacta o planeta … então, eu devo perguntar-me o que posso fazer para reduzir o meu impacto? Bem, esse é o tipo de revolução que deve ocorrer e de que ainda estamos longe …

A ecologia deve estar inscrita no ADN de tudo o que fazemos diariamente e ainda não entrou nos costumes. Ainda estamos num mundo onde cada vez de consome mais, onde se crê que quanto mais crescimento, melhor para a economia. E, no fim de contas, isso não é bom para o planeta! Portanto, permanecemos estagnados na negação, porque sabemos que um dia não haverá mais recursos, e aí então como é que vamos fazer? Isso é preocupante. Dois mil milhões de pessoas vivem como nós, cinco mil milhões gostaria de viver como nós … Não há madeira suficiente, petróleo suficiente, não pode ser. É impossível.»

Yann Arthus Bertrand

Fonte