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Vida em Transição #5 – Electricidade outra vez

No último artigo Vida em Transição (Energia e Serviços), falei um pouco sobre economias energéticas e como estavamos a reduzir a electricidade em casa.

energymeterUltimamente tenho andado a medir os gastos de diversos equipamentos com mais exactidão, recorrendo a um medidor de potência nas tomadas.

Acho que já é bastante comum ouvirmos falar sobre os gastos de equipamentos em standy, mas nunca tinha medido na prática o que isso representava. Aqui ficam algumas conclusões sobre esses e outros:

Carregador do portátil

Tenho muito o hábito de estar com o portátil ligado à corrente. Quando o tiro, para o levar para qualquer lado, ou para outro sítio da sala, quase sempre deixo o carregar no lugar, e ligado à corrente. Se calhar pensamos que lá por o portátil não estar ligado que ele não gasta nada, mas a verdade é que gasta exactamente o mesmo! (bem, pelo menos o meu).

Com ou sem portátil, o carregador consume 7.1W. O que significa que nos dias em que fica ligado 24h (que são mais comuns do que se pensa), estamos a falar de um consumo de 170.4W. Trocando por miúdos: 1,02€ por mês.

Box TV

Na sala, temos um aglomerado de equipamentos que acredito serem bastante comuns em qualquer sala: televisão, telefone, equipamento cabovisão e modem/router internet. Como no artigo passado já mencionei que usamos um temporizador para desligar tudo isto durante 8h por dia, tive apenas curiosidade em medir o gasto da box da tv, porque é algo que raramente usamos.

Em standby o equipamento consome 20W, 480W por dia (em casos que fique 24h ligado), ou seja, 2,88€ por mês.

Se à box juntarmos a TV e o telefone (também com 01% de utilização), já se mede 30W, 720W por dia, ou 4,32€ por mês.

Conclusão

Com apenas estes dois exemplos, somam-se mais de 5€ por mês em poupança (60€ por ano).

Claro que para muitas pessoas pensar em 1€ a mais na conta de electricidade é totalmente irrelevante. Para mim é relevante, e nem se trata de uma questão de dinheiro mas sim de recursos. Se tivessemos que manualmente girar uma roda para gerar a electricidade correspondente que permitisse manter estes equipamentos sem utilização, iamos fazê-lo? Porque estamos então a fazer o mesmo com os recursos do planeta, só porque sim?

Entretanto, tenho andado a germinar uma ideia para criação de uma loja online para vender produtos ecológicos que permitam a poupança energética (electricidade, água, calor) ou de baixo impacto no planeta. Mais info para breve :)

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Comida, crise, economias e sustentabilidade

Tenho boas memórias dos tempos em que vivi em Sintra, e uma delas foi do dia em que descobri o mercado local. Até então dependia do supermercado para tudo. Naquele dia as portas abriram-se e descobri um mundo à parte (na altura ainda não estava muito ligado à permacultura e afins). Quando saí de Sintra para morar em (muitos) outros sítios, fiquei sempre com saudades daquele mercado. Gradualmente voltei a cair no hábito/dependência dos supermercados.

Quando nos mudamos para o Fundão, fiquei muito contente ao descobrir um mercado idêntico. Agora faz religiosamente parte da minha rotina semanal, 2 vezes por semana (e só porque não há mais).

mercado_shutterstock_112976938Há inúmeras vantagens em ir a um mercado tradicional, seja pelas pessoas, pela frescura e sabor dos alimentos, por questões económicas ou mesmo de sustentabilidade ecológica!

Das poucas vezes em que sou “obrigado” a ir a um continente(ou algo do género) e tenho a infelicidade de comprar fruta, sou relembrado o quão bom é ter um mercado por perto, logo que dou uma primeira dentada. Hoje foi um desses dias e aproveitei para dar uma vista de olhos nos preços e origens de alguns dos alimentos.

Porque é que há pessoas a comprar romãs a quase 4€, vindas de Israel, quando há aqui uma imensidão de agricultores a vender romãs por todo o lado? Ocorreram-me várias respostas:

  1. carteira demasiado pesada, vamos gastar mais (pouco provável)
  2. o que é de fora é que é bom?!?
  3. preguiça de ir ao mercado / ou preferir a frieza de uma grande superfície
  4. ??

Mas bem, venham comigo e vamos simular aqui umas compras com base nalguns preços que tirei:

Item Preço Super-mercado Mercado Local
Chu-Chu (kg) 3 € 1 €
Brócolo (kg) 2.5 € 1.5 €
Romã (kg) 3.5 € 1 €
Diospiros (kg) 3.5 € 1 €
Maça Bravo (kg) 1.79 € 0.50 €
Amendôa (500g) 10 € 2.5 €
Courgete (kg) 1.90 € 1 €
Castanhas (kg) 4 € 1.5 €
Total 30.19 € 10 €

Não são as compras típicas de muita gente, mas como as mesmas diferenças se aplicam a quase tudo o que está na secção dos frescos, serve para a ideia que quero transmitir aqui.

Claro que ao longo de uma semana e para uma família mais composta, isto tem que ser multiplicado  2, 3 ou 4 vezes. Vamos pelo caminho do meio, multiplicando por 3 temos:

Preço Super-mercado Mercado Local
Por Semana 90 € 30 €
Por Mês 360 € 120 €
Por Ano 4320 € 1440 €

Cada caso é um caso, mas uma diferença de 240€ ao final do mês é imenso! Trata-se de um valor de uma renda, para muita gente. Volto a repetir, uma renda paga, só com uma simples mudança de hábito.

3000€ ano? Ajuda nalgumas poupanças, situações de emergência, ou até pequenos investimentos.

Por isso, quando voltarmos a falar de crise, é bom ir relembrando que nestas pequenas coisas fazem-se grandes diferenças. Não só para nós, mas também para os outros e para o planeta. Ao comprar localmente ajudamos os agricultores locais, poupa-se em empacotamentos, intermediários, transportes(combustíveis fósseis!!) e ganha-se em sabor e qualidade de vida :)

Para além disso, nada como entrar num verdadeiro mercado local, ver as pessoas que cultivaram aqueles alimentos, saber o que está a crescer na época, provar, falar e às vezes, também, regatear ;)

PS –  e não falei nas vezes em que nos oferecem alimentos de graça, só porque somos clientes regulares, ou porque estão bem dispostos :)

Mais um evento histórico ;)

E se existisse uma forma de 7 mil milhões de pessoas viverem numa sociedade equilibrada, economicamente próspera, de reduzida pegada ecológica, resiliente e regenerativa?

 “A Permacultura é a arte do possível.” Graham Bell | Permacultor


De 24 a 26 de Outubro, realiza-se pela primeira vez em Portugal a “Convergência de Permacultura – Portugal em Transição”, que irá reunir mais de 50 especialistas para partilharem experiências sobre permacultura, agricultura, agrofloresta, solos, planeamento de água, permapicultura, apicultura natural, eco-comunidades, cooperativas, educação, economia local, permacultura social, iniciativas de transição, soberania alimentar, sustentabilidade, saberes tradicionais, etc.

Ao longo destes três dias será também possível participar em variadas oficinas práticas, como por exemplo, construção de uma espiral de plantas aromáticas, construção de uma horta-mandala, caminhada das plantas silvestres, recolha e conservação de sementes, sabões naturais, costura criativa, etc. As crianças poderão participar em várias actividades, algumas das quais especialmente desenhadas para elas e que irão acontecer no espaço do Projecto Matriz. 

Conforme as actividades vão decorrendo, irão criar-se e surgir momentos de partilha, ligações e aprendizagens entre todos os participantes, promovendo um espírito de família e celebração. Aliás, vamos terminar a convergência de permacultura em grande festa com danças tradicionais europeias.

Venham participar neste evento histórico!

Blog: https://convergenciapermacultura.wordpress.com/
Facebook: https://www.facebook.com/convergenciapermacultura
Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/378177235680641/

Até dia 5 de Outubro: 10 euros(3 dias), 4 euros (1 dia)
Depois de dia 5 de Outubro:15 euros (3 dias), 6 euros (1 dia)
Crianças até 12 anos: entrada grátis
(não inclui refeições)