quebrar barreiras

Quando se comunica em ambientes profissionais (presencialmente ou não) é sempre esperada uma certa seriedade. A forma como se fala, como se lida com pessoas, é toda revestida com uma certa máscara de formalidade. Quando se ganha confiança com essas mesmas pessoas, essa cobertura vai caíndo e ficamos em contacto com alguém mais autêntico.

Afinal de contas, por detrás de todos aqueles senhores doutores e excelências e etcs, existe um ser humano. Existe alguém que ao final do dia vai para casa, que é pai (ou filho), que tem um cão ou gato, que tem problemas ou carências emocionais e que, o mais interessante de tudo, lá no fundo prefere essa simplicidade do contacto humano do que a artificialidade das interacções sérias a que tem que se obrigar no dia a dia.

De certa forma, todos temos este “contrato” subtil e inconsciente. Todos preferimos essa simplicidade, autenticidade e frontalidade.. enfim, ser-se humano. Mas temos esta pressão, que vem sabe-se lá de onde, para mantermos o nosso papel nesta peça e, portanto, agir conforme as regras.

Agora tenho estado a fazer experiências de quebrar mais rapidamente estas barreiras. Estou-me a dar ao luxo (se assim o quisermos pôr) de arriscar relações profissionaisóserias, para ver o resultado de comunicar com toda a gente de uma forma mais simples, fácil e humana. Não é que trate toda a gente por tu, mas há aspectos subtis da línguagem que usamos e nos quais estamos tão treinados, que se torna um desafio fazer diferente.

Por exemplo, dizer “Olá”. Adoro esta palavra pela sua simplicidade e leveza. Porque é que não há mais gente a dizer olá em ambiente sérios? Até quando nos batem à porta por qualquer razão, tem que vir o “desculpa lá”, “boa noite”, “faz favor…”… então e o simples “Olá” com um sorriso? Passei a dizer mais Olás, porque acho que o mundo está com falta de Olás. E é giro ver que um Olá dito num ambiente supostamente profissionalósério causa uma certa ruptura nalguns cérebros e é como se abrissem portas para qualquer coisa diferente! Até com o carteiro que me bate à porta funciona, basta um Olá e toda a conversa muda de tom.

Outra coisa é começar a usar mais vezes os nomes das pessoas. Por exemplo, em emails profissionaisóserios, comecei a tratar toda a gente simplesmente pelo nome, deixando de lado os títulos e prefixos e apelidos. Comecei a incluir smileys e a falar de forma simples, leve e, por vezes, engraçada.. porque é assim que eu falo. O respeito continua, mas o respeito não tem que implicar estilos de conversas cinzentos.

E agora, para leitura de fim de semana, mais um artigo do departamento “sociedade disfuncional”: Does Work Really Work?

Excerto:

One of the first questions people often ask when they are introduced to one another in our society is “what do you do?” This is more than just polite small talk — it is an indication of the immense importance work has for us. Work gives us a place in the world, it is our identity, it defines us, and, ultimately, it confines us. Witness the psychic dislocation when we lose our jobs, when we are fired, laid off, forced to retire or when We fail to get the job we applied for in the first place. An unemployed person is defined not in positive but in negative terms: to be unemployed is to lack work. To lack work is to be socialIy and economically marginalized, To answer “nothing” to the question “what do you do?” is emotionally difficult and socially unacceptable. Most unemployed people would rather answer such a question with vague replies like “I’m between contracts” or “I have a few resumes out and the prospects look promising” than admit outright that they do not work. For to not work in our society is to lack social significance — it is to be a nothing, because nothing is what you do.

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