Da permacultura à vida: explorar os nossos limites

Uma das aulas mais marcantes do curso de permacultura foi a do planeamento. É raro o dia onde não me questione sobre algumas coisas, do ponto de vista que me foi apresentado nessa aula.

O planeamento é um grande tema e muito importante, havendo muitas lições a tirar sobre como vivemos a permacultura em nós próprios, para além da horta. Mas houve um pequeno aspecto que me ficou mesmo gravado como sendo deveras importante e por isso achei que o devia escrever aqui.

É muito comum quando pensamos/planeamos como usar um terreno, olhar para os grandes espaços e imaginar como poderiam ser ocupados e rentabilizados:

O que fazer com as áreas?
O que fazer com as áreas?

Este é um padrão típico de um modo de pensar criado na nossa actual sociedade capitalista e orientada para a matéria. É um pensamento que se foca essencialmente na quantidade. “Quanto espaço tenho? Quanto consigo usar? Onde há mais espaço vazio?”. É um modo de agir que se foca na acção e na obtenção de resultados grandes e visíveis.

Por outro lado, a permacultura ensina-nos a pensar de forma diferente, pensar nos limites, nas fronteiras entre zonas, pois é ali que temos um maior potencial. Com uma observação simples, podemos ver que é nestas zonas limite que a natureza apresenta maior diversidade, e não nos grandes espaços abertos. Dois exemplos simples:

Um poste ou cerca, marca um simples limite.
Um poste ou cerca, marca um simples limite.
Limites que rodeiam um lago ou mesmo um caminho
Limites que rodeiam um lago ou mesmo um caminho

Então, do ponto de vista do planeamento, a prioridade deve ser dada à identificação de todos os limites que o território apresenta e o uso que se lhes poderá dar. Só depois passamos o foco para as grandes áreas vazias.

limiteb
O mesmo terreno, de uma perspectiva diferente: os limites são assinalados a roxo.

Agora, a parte mais interessante de tudo isto é, claro, aplicar a permacultura à nossa vida. Neste assunto, há 2 coisas a considerar:

  • Onde estão os nossos limites/fronteiras? Isto é, onde há áreas da nossa vida que se cruzam (ou podem vir a cruzar), e que potencial surge desse cruzamento? O mais óbvio e fácil é pensar logo nas ligações entre aquilo que fazemos (enquanto trabalho) e aquilo que gostamos de fazer (hobbies). Mas vai muito para além disso. Que saberes, pessoas, ideias ou oportunidades podemos ligar?
  • De que forma estamos a aproveitar aquilo que temos? Em vez de partirmos sempre da procura da quantidade, estamos a dar valor aquilo que já temos e tendemos a ignorar? O mais comum é sempre procurarmos mais. Precisamos disto e daquilo para estar tudo bem. Se aquela coisa acontecesse é que era bom. O paralelismo é o mesmo: aprender que há imenso potencial naquilo que já temos e saber dar-lhe o devido valor antes de querer mais. Qualidade antes da quantidade. Máxima utilização de todos os recursos, mesmo quando falamos dos recursos (pessoas, aprendizagens, situações) que a vida nos dá a cada dia.

Da mesma forma como dou por mim a pensar o quão bom seria ter um grande espaço para cultivar isto e aquilo, também na vida há tendência a procurar mais disto e daquilo.
E da mesma forma que mudo essa perspectiva para não pensar em grandes espaços, mas sim utilizar os pequenos que já tenho, também na vida mudo o foco para dar mais valor ao que já tenho e a tirar o máximo proveito de tudo isso.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s