Sobre o voluntariado

Com as tarefas e responsabilidades que tenho tido nos últimos anos, já tive muitas oportunidades de lidar com o tema do voluntariado. Já conheci e falei com muita gente que quer (ou precisa!) de fazer voluntariado. Para quem tem tarefas maiores que os braços, voluntários são sempre bem-vindos!

Mas ontem, a meio de uma conversa sobre o tema, ocorreu-me algo diferente, e por isso tinha que vir escrever :)

Vivemos numa época em que queremos pôr nomes em tudo, rotular, etiquetar. Por isso é que temos a informação que circula no dia-a-dia preenchida com palavrões chave como o voluntariado, empreendedorismo, bla bla bla.

As pessoas sempre fizeram voluntariado. Sempre que há uma causa que lhes toca, juntam-se e trabalham cooperativamente para atingir objectivos. Algo que se vê facilmente nas pequenas terras, na organização de eventos, na angariação de fundos, etc. Ninguém precisa de lhe chamar nada. É simplesmente natural que as pessoas se unam para que, juntas, cheguem a um objectivo que lhes é importante.

No “mundo desenvolvido” é menos comum, pouca gente ainda faz isso de uma forma natural. Quando se faz, há que lhe chamar de voluntariado. Não é por acaso que muita gente faz voluntariado, não com o objectivo principal de servir, mas com o intuito de se sentir melhor consigo própria. Não deixa de ser curioso o voluntariado ser algo tão altruísta e no entanto estar tão cheio de egos por todo o lado.

Pergunto-me se, caso essas pessoas tivessem uma vida mais equilibrada, com um contacto verdadeiro com o seu eu, com uma atenção e dedicação sincera ao seu desenvolvimento pessoal e espiritual, ainda teriam essa “necessidade” de fazer voluntariado. E respondo-me: não! Essa necessidade que tantas vezes vejo do “preciso de fazer voluntariado”, é apenas um resultado do vazio que se faz lá dentro, e a vontade de o preencher com algum significado. A maioria das pessoas que vou conhecendo, que se dedicam a esse desenvolvimento interno, não têm necessidade de voluntariado, mas fazem-no! Só não é preciso pôr-lhe nomes, nem ser anunciado. Muito pelo contrário, o sentimento de serviço e ajuda surge naturalmente, todos os dias, em todas as pequenas ou grandes acções.

Claro que, não quero estar a fazer generalizações a mais, existem muitas excepções onde falar de “voluntariado” faz sentido e é importante :) Mas fica o devaneio, para pensarem nele…. e que se calhar da próxima vez que precisarem de ajudar alguém, quem precisa de ajuda são vocês…

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One thought on “Sobre o voluntariado

  1. Quem faz voluntariado porque precisa, não está a ter nenhuma atitude altruísta (que se diz típica das actividades voluntárias)… está a fazê-lo para seu próprio bem e não o vai fazer por muito tempo.
    Quem faz voluntariado, ou lá o que lhe queiras chamar, por uma razão mais profunda, não o faz a pensar que precisa de o fazer ou que lhe faz bem fazer voluntariado. Faz porque faz. Porque lhe faz sentido. Além disso, é como dizes, nem precisa de lhe chamar voluntariado, pois a actividade faz parte da sua vida como qualquer outra… só não se é remunerado por ela lol…

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