deixa lá a “paixão”!

Nota: este artigo não é sobre amores :) desculpem se o título é enganador!

Embora tenha este interesse há muito tempo, foi especialmente nos últimos dois anos – quando comecei a desenvolver o meu próprio trabalho – que passei a estar mais informado e atento aos temas de empreendedorismo e tudo o que vem ligado a isso.

Este ano de 2011, poderia ser declarado o Ano do Empreendedorismo, só pela imensidão de coisas que se escrevem e falam sobre o tema: blogs, notícias, eventos, conferências, palestras, etc. É certo que não ando nisto há muito tempo, mas não me parece que tenha havido no passado um foco tão grande em ser empreendedor, em criar “o nosso próprio trabalho” ou melhor “descobrir aquilo que queremos mesmo fazer, que nos apaixona, e que poderiamos chamar de emprego para o resto da vida”.

Eu próprio fui fazendo isso, à minha melhor maneira: descobrir aquilo que me apaixonava fazer e no qual queria investir tempo e energia. Certamente que, tal como com muitas outras pessoas, às vezes estamos num ponto em que afinal “parece que não”, afinal a paixão já não é bem a mesma, as certezas parecem diluir-se e de repente damos por nós em areias movediças.

Dependendo da nossa atitude, várias respostas podem surgir daqui. No meu caso, foi a incerteza, a dúvida, alguma desmotivação ou mesmo perda de direcção. Os tempos que se seguiram foram sempre tendo isto como um “problema”. Afinal de contas, se esta já não é “a paixão”, se já não é aquilo que sinto que tenho/devo/quero fazer na vida, qual é?

Sim, porque afinal de contas, todos nós temos que descobrir essa paixão!…Ou pelo menos é o que dizem todas as palestras de gente inspiradora e empreendedora…

De repente dou por mim a pensar em perguntas que me são muito familiares (porque ouço imensa gente a fazê-las também): “mas como é que eu sei o que quero?”, “como vou descobrir a minha missão ou o trabalho ideal?”, “como sei que isto é que está certo?”. Tenho que saber… tenho que descobrir… como se pode dar o exemplo e ajudar outros a chegar lá, se eu próprio não consigo ter clareza sobre o assunto na minha própria vida?

Foram precisas algumas semanas a moer nisto, até que se fez luz e o problema deixou de ser problema. Porque é que temos que descobrir a nossa paixão e o que queremos fazer para o resto da vida? E quem é que o diz? E o que é que essas pessoas sabem mais do que outras que não o fazem? Porque é que há uma pressão tão grande na sociedade para se escolher carreiras e empregos ideais? Porque é que temos que escolher tão cedo e mantermo-nos sempre no mesmo caminho?

Quando de repente mudei a perspectiva e pensei “não tem de ser assim”, levantou-se um enorme peso e abriram-se infinitas possibilidades, de ser e de fazer. Porque é que existe uma associação tão forte daquilo que somos com aquilo que fazemos? Porque é que quando se conhece alguém se dá prioridade em saber “o que é que fazes”? Se calhar é essa pressão que nos força a temer estas decisões sobre “o que fazer” e por isso às vezes estagnamos. Chateia-me ver à minha volta tanta gente “parada” simplesmente porque ainda não descobriu “a coisa certa” e está à espera que algo mágico caia do céu.

Talvez algumas pessoas nasçam assim, com uma paixão tão grande que não há mais nada que as toque ou mova. Mas são uma percentagem tão pequena! Para o resto de todos nós: libertem-se dessa preocupação! Deixem o medo de lado e partam à descoberta de coisas que gostavam de experimentar, das quais pouco ou nada sabem, de que gostam mas “não é a minha área”.

Não há regras, não há falhanços, há apenas feedback.

A missão não aparece do dia para a noite, não se descobre magicamente… simplesmente vai-se construindo, com todo o feedback, com todas as pequenas paixões e aversões que vamos conhecendo ao longo de cada dia.

Por isso digo, ao contrário da “moda”: esqueçam essa busca pel’ “a paixão”! Descubram e apreciem todas as pequenas paixões que andam por aí e que também vos chamam… dêem-lhes ouvidos.

E se chegarem ao fim da vida e ainda não tiverem descobrido “a paixão”…. e então? Quando apreciamos todas as pequenas coisas e damos o devido valor à vida, essa é a paixão. E não pode ter havido nada melhor e que tenha feito a vida valer!

“Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho”

castanhas assadas, porque hoje é S. Martinho, porque é dia de magustos, porque são boas e porque.... sim! :)

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2 thoughts on “deixa lá a “paixão”!

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