Crenças – são uma caixa ou um par de asas?

Há uma história sobre um psiquiatra e o seu doente que acreditava que era um cadáver. Durante meses, o psiquiatra tentou de tudo mas nada parecia convencer o paciente de que ele era uma pessoa perfeitamente normal. Um dia, teve uma ideia que resolveu experimentar:
– Acha que os cadáveres sangram?
– Não, claro que não. Estão mortos!
Foi então que o psiquiatra pegou numa pequena agulha e picou o paciente no dedo. Quando o sangue começou a sair, o paciente olha para o dedo e com um espanto enorme afirma:
– Meu Deus!!! Afinal os cadáveres também sangram!

As crenças que desenvolvemos ao longo da vida ganham raízes muito profundas e têm, por isso, um poder muito grande tanto pela positiva como pela negativa. Algumas crenças são desenvolvidas ao longo do tempo (influenciadas pela nossa educação, cultura, meio envolvente), outras são criadas muito rapidamente com origem em experiências intensas (afirmações de figuras de autoridade ou experiências marcantes que afectam a nossa auto-estima, por exemplo).

Recentemente, li sobre um caso curioso de uma menina que tinha muitas dificuldades em tocar piano. Para resumir a história, tudo tinha partido de há vários anos atrás quando ela dava os primeiros passos na aprendizagem do instrumento. A dada altura, o pai afirmou algo do género “não tens jeito para isso, nunca vais conseguir tocar piano”. Segundo o que explicam, como ela tinha os pais como uma figura de autoridade importante, aquela afirmação tomou um peso muito grande e instalou-se inconscientemente como uma crença. Mesmo anos depois do sucedido, ela continuava, através do seu fraco jeito para o piano, a mostrar e provar ao mundo que os pais tinham razão – ela não sabia tocar piano. A parte interessante é que depois de se expor esta ideia e de lhe fazer ver que a crença não tinha fundamento e que ela não precisava de continuar a provar mais nada ao mundo, a sua habilidade aumentou significativamente.

Há umas semanas atrás coloquei no Facebook uma mensagem que dizia “A coisa mais impressionante que observo em cada ser humano é a quantidade tremenda de energia gasta a não permitir que ele próprio seja feliz”. Como gerou bastantes comentários e perguntas, achei por bem desenvolver um pouco a minha opinião aqui e ligá-la com este tema.

Conheço várias pessoas com crenças que criam bloqueios a uma vida mais simples e feliz. Às vezes, é a forma a como fomos expostos a certas ideias que acaba por condicionar muitos dos nosso valores, comportamentos e atitudes para com a vida. Vejam, por exemplo, a diferença entre estas duas afirmações, cujas ideias subjacentes são semelhantes, mas que vistas de diferentes ângulos podem influenciar positiva ou negativamente a pessoa:

“Os sofrimentos/obstáculos fazem parte da vida e é com eles que se cresce” VS “Qualquer sofrimento/obstáculo é uma oportunidade para crescer”

Viver de acordo com a primeira faz-nos viver de forma a criarmos sofrimento e obstáculos constantemente (consciente ou inconscientemente) pois essa é, deste ponto de vista, a única forma de aprendermos e crescermos. Viver de acordo com a segunda faz com estejamos mais livres para as coisas boas da vida, e que saibamos lidar de uma forma positiva com os obstáculos quando – e caso – eles surjam.

Outro exemplo simples e ainda mais comum, é a frequência com que vejo pessoas a não se permitirem estar felizes porque “não é suposto”. Podem haver várias razões, desde coisas leves (como uma pequena discussão que se teve, algo que correu mal no dia) a mais pesadas (problemas de saúde, perda de alguém importante). Existe uma espécie de “regra social” que diz que é suposto estarmos ou tristes ou deprimidos ou, sei lá, qualquer coisa menos estar feliz e em paz. E como temos tendência em viver sobre a influência dessa regra (ainda que totalmente inconscientes disso), não nos permitimos estar numa dessas situações com um estado mental e emocional completamente diferente. Afinal de contas, o que é que os outros haviam de pensar? :)

Estar consciente das nossas crenças é um exercício interessante e que exige muita introspecção e atenção à forma como pensamos e (re)agimos. Quando encontrarem as vossas e duvidarem da sua utilidade, testem algumas dessas supostas “verdades” e se calhar vão perceber que não são verdades de maneira alguma. Aqui ficam algumas perguntas interessantes para auto-reflexão:

  • Existe alguma razão válida para esta crença?
  • E se eu estiver errado?
  • O que é que eu diria a uma pessoa que tivesse uma crença semelhante?
  • Porque é que tenho que continuar a viver com ela e acreditar que é verdade se não existe nenhuma boa razão para tal?
E as vossas crenças? São uma caixa que vos limita a vida e o vosso Ser? Ou são umas asas que vos permitem ver e chegar mais longe?

«Para mim, aquelas pessoas que tornam a vida mais miserável do que precisa de ser estão a acorrentar-se a uma crença que a vida é sofrimento. Esquecem-se de que a vida não se trata de relembrar e sentir situações desagradáveis do passado, mas sim de andar em frente e ver a vida como a aventura que a vida pode vir a ser…» Richard Bandler

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