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Vida em transição #3: A Salamandra

Todos os permacultores devem estar certamente familiarizados com o famoso diagrama da galinha. É um exemplo comum da análise dos inputs/outputs e características de um elemento dentro de um sistema. Muito útil para se planear e optimizar funções :) Aqui em casa não há galinhas, mas neste inverno temos uma salamandra :) E os usos vão muito mais além do óbvio aquecimento, por isso resolvi fazer um diagrama semelhante: salamandra É um elemento muito produtivo, se a utilização for bem optimizada :) E para as cinzas, aposto que não conheciam nem metade dos usos que se lhe podem dar, desde fertilizante para plantas a produtos de limpeza e higiene! Ora vejam aqui: 30 uses for wood ashes, you never thought of.

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Comida e economias – parte 2

Continuando mais um bocadinho com o tema do artigo anterior, aqui ficam algumas outras ideias a ter em conta :)

Chucrute

3 frascos acabadinhos de fazer: 2 de couve-coração e 1 de couve-roxa

3 frascos acabadinhos de fazer: 2 de couve-coração e 1 de couve-roxa

Se calhar desconhecido para muitos, o chucrute é um probiótico fantástico e uma óptima forma de aproveitar couves em excesso :) Não vou falar aqui dos benefícios nem como o fazer, para isso o Google ajuda. Mas para quem, como eu, goste tanto de chucrute, há que ter em conta que um frasco no supermercado tem um preço entre os 3,5€ e 5,5€.

Fazer em casa é um processo que leva uma meia-hora e enche-se logo uns quantos frascos. Uma boa couve dá para um frasco inteiro e custa no mercado 0,50€ (4€ de poupança, em média).

Se gostarem tanto como eu, chegam a conseguir consumir 2 ou 3 frascos por mês. Falamos então, no “pior” dos casos de uma diferença de 15€/mês.

Iogurte

iogurte

“Mason jars” que levam 1litro :)

Um outro item que faz parte da minha alimentação, também muito pelos benefícios que tem, é o iogurte (simples, sem açucar). Um pacotinho custa à volta de 0,35€ (depende das marcas) e especialmente na altura do tempo mais quente, somos bem capazes de consumir  – no mínimo – uns 10 iogurtes por semana (40 iogurtes por mês = 14€).

Fazer iogurte em casa é um processo bem simples. Aqui fazemos 1litro de cada vez e no geral dura uma semana inteira. Como sou um pouco esquisito com lacticínios, uso o leite fresco, que é um pouco mais caro que o leite normal, normalmente 1l custa 0,79€. Por mês estamos a falar de uma diferença de sensivelmente 12€.

Leites vegetais

À medida que vamos reduzindo o consumo de leite, temo-lo substituído por “leites” vegetais, principalmente de arroz e aveia. O continente, por exemplo, comercializa já várias destas bebidas vegetais com marca própria, o que as torna bem mais baratas que marcas conhecidas como a Alpro. Ainda assim, custam em média 1,80€ por litro. Sim, sei que o leite de soja é bastante mais barato, mas é também muito desaconselhável (aliás, quase toda a soja, nas mais variadas formas).

Com renovada inspiração obtida na Convergência de Permacultura, recomecei as experiências para produzir estes leites em casa.

Leite de sementes de girassol acabadinho de "espremer" :)

Leite de sementes de girassol acabadinho de “espremer” :)

O primeiro, leite de sementes de girassol, faz-se com meio pacotinho de sementes (cada pacote custa 1,10€) e produz 1 litro. Para o segundo, de aveia, ainda nao fiz bem as contas, mas estimo um custo de 0,20€ no máximo. Também já experimentei de arroz, mas não gosto tanto do sabor. Falta ainda tentar com avelãs e amendoas.

Como consumimos à volta de 4 litros por semana, os leites comprados resultam em 7,20€, ou seja, 29€ por mês. Na versão caseira custam 1,50€ por semana, 6€ por mês. Poupança mensal: quase 25€.

Conclusão

Por mês

Item Preço compra Custo em casa :)
Chucrute 13.50 € 1.50 €
Iogurtes 14 € 3.16 €
Leites Vegetais 29 € 6 €
Total 56.50 € 10.66 €

Somando estes 3 exemplos, temos uma poupança mensal de quase 50€. A somar aos 240€ do artigo anterior, já se fica praticamente nos 300€.

Há uma infinidade de outras coisas que se pode fazer em casa a preços bem mais baratos. Claro que há sempre que ver aquilo que realmente compensa, pois também se gasta tempo(um recurso importante ;) ). Por exemplo, fazer pão em casa é uma das coisas que ainda não me convenceu muito, acho que a margem é tão pequena que muitas vezes não compensa o trabalho e o simples facto de ter que pensar e planear.

A aventura continua e espero ir aprendendo mais coisas interessantes e boas para se fazer por vias artesanais ;)

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Comida, crise, economias e sustentabilidade

Tenho boas memórias dos tempos em que vivi em Sintra, e uma delas foi do dia em que descobri o mercado local. Até então dependia do supermercado para tudo. Naquele dia as portas abriram-se e descobri um mundo à parte (na altura ainda não estava muito ligado à permacultura e afins). Quando saí de Sintra para morar em (muitos) outros sítios, fiquei sempre com saudades daquele mercado. Gradualmente voltei a cair no hábito/dependência dos supermercados.

Quando nos mudamos para o Fundão, fiquei muito contente ao descobrir um mercado idêntico. Agora faz religiosamente parte da minha rotina semanal, 2 vezes por semana (e só porque não há mais).

mercado_shutterstock_112976938Há inúmeras vantagens em ir a um mercado tradicional, seja pelas pessoas, pela frescura e sabor dos alimentos, por questões económicas ou mesmo de sustentabilidade ecológica!

Das poucas vezes em que sou “obrigado” a ir a um continente(ou algo do género) e tenho a infelicidade de comprar fruta, sou relembrado o quão bom é ter um mercado por perto, logo que dou uma primeira dentada. Hoje foi um desses dias e aproveitei para dar uma vista de olhos nos preços e origens de alguns dos alimentos.

Porque é que há pessoas a comprar romãs a quase 4€, vindas de Israel, quando há aqui uma imensidão de agricultores a vender romãs por todo o lado? Ocorreram-me várias respostas:

  1. carteira demasiado pesada, vamos gastar mais (pouco provável)
  2. o que é de fora é que é bom?!?
  3. preguiça de ir ao mercado / ou preferir a frieza de uma grande superfície
  4. ??

Mas bem, venham comigo e vamos simular aqui umas compras com base nalguns preços que tirei:

Item Preço Super-mercado Mercado Local
Chu-Chu (kg) 3 € 1 €
Brócolo (kg) 2.5 € 1.5 €
Romã (kg) 3.5 € 1 €
Diospiros (kg) 3.5 € 1 €
Maça Bravo (kg) 1.79 € 0.50 €
Amendôa (500g) 10 € 2.5 €
Courgete (kg) 1.90 € 1 €
Castanhas (kg) 4 € 1.5 €
Total 30.19 € 10 €

Não são as compras típicas de muita gente, mas como as mesmas diferenças se aplicam a quase tudo o que está na secção dos frescos, serve para a ideia que quero transmitir aqui.

Claro que ao longo de uma semana e para uma família mais composta, isto tem que ser multiplicado  2, 3 ou 4 vezes. Vamos pelo caminho do meio, multiplicando por 3 temos:

Preço Super-mercado Mercado Local
Por Semana 90 € 30 €
Por Mês 360 € 120 €
Por Ano 4320 € 1440 €

Cada caso é um caso, mas uma diferença de 240€ ao final do mês é imenso! Trata-se de um valor de uma renda, para muita gente. Volto a repetir, uma renda paga, só com uma simples mudança de hábito.

3000€ ano? Ajuda nalgumas poupanças, situações de emergência, ou até pequenos investimentos.

Por isso, quando voltarmos a falar de crise, é bom ir relembrando que nestas pequenas coisas fazem-se grandes diferenças. Não só para nós, mas também para os outros e para o planeta. Ao comprar localmente ajudamos os agricultores locais, poupa-se em empacotamentos, intermediários, transportes(combustíveis fósseis!!) e ganha-se em sabor e qualidade de vida :)

Para além disso, nada como entrar num verdadeiro mercado local, ver as pessoas que cultivaram aqueles alimentos, saber o que está a crescer na época, provar, falar e às vezes, também, regatear ;)

PS –  e não falei nas vezes em que nos oferecem alimentos de graça, só porque somos clientes regulares, ou porque estão bem dispostos :)